quinta-feira, 4 de julho de 2013

JOSÉ EDUARDO MANZO - VISITA AO SEMINÁRIO SANTO ANTONIO DE AGUDOS - SP

Caríssimo
Cesar Techio!
Acabo de chegar de Agudos, onde passei a manhã no inesquecível seminário Santo Antonio.
Quanta emoção, andar pelos longos corredores nas três alas!
A missa, celebrada pelo Frei Walter Hugo!
O velho frei Mario, professor de química - não me reconheceu, mas isso não tem importância, afinal, 30 anos é um pouquinho mais do que trinta dias, não é verdade?
Quase fui às lágrimas ao visitar o cemitério. Cada cruz, um rosto amigo de quem trabalhou espalhando paz e bem e agora repousa junto ao Criador.
Pena que não levei uma máquina fotográfica para documentar a visita...
Agora, o que senti falta foi o do barulho da molecada os piás correndo, jogando bola, etc. Só trabalham agora com vocações adultas e eles chegarão só no segundo semestre. Que vazio!
Cesar, não lhe mandei ainda as fotos que havia prometido pois não consegui encontrá-las ainda, devem estar no fundo de alguma gaveta, sei lá...
Bom final de domingo, amigo.
Paz e bem!
José Eduardo Manzo
Bauru, 30/06/13

quarta-feira, 3 de julho de 2013

PARTIDOS E MOVIMENTOS: O GRITO DA CONSTITUIÇÃO


Cesar Techio
Economista – Advogado


                   A ideia de supressão dos partidos políticos não se alinha com a necessária representação pelas demandas sociais que só podem ocorrer através de modelos de representatividade organizadas, ou seja, através de partidos políticos. A vontade de diminuir ou de mitigar o peso da influencia dos partidos sobre a vida política do país e dos cidadãos anda na contramão de soluções organizadas que podem viabilizar o alargamento das margens de participação popular no que realmente interessa: decisões partidárias que se refletem nas decisões dos representantes do povo. Candidaturas livres e sem fiscalização partidária que imponha a obrigação de fidelidade aos compromissos assumidos em campanha, tendem a se firmar como aventuras por trás das quais sempre existirão grupos específicos de interesses coorporativos, livres das amarras disciplinares, principiológicas, filosóficas e doutrinárias dos partidos políticos. Sem os partidos políticos é impossível estabelecer, de forma viável, padrões de racionalidade baseados no cumprimento das obrigações com a população.

                   Se, os movimentos de rua expressam demandas de conteúdos variados, como por exemplo, morais, políticos, econômicos, culturais, etc., também é preciso considerar que estes valores já se encontram normatizados, na condição de princípios, na própria Constituição Federal. São valores positivados, na condição de normas pétreas que devem obrigatoriamente dirigir a vida do país e dos cidadãos. Ora, os gritos dos cidadãos em frenético movimento pelas ruas, aqui no Brasil, apenas reproduzem os gritos da própria Constituição, a qual apresenta programas e objetivos que impõem a concretização destes valores em favor da dignidade humana no dia a dia da vida do povo.

                   Na realidade, são direitos fundamentais que exigem a realização de um modelo de democracia que deve valorizar mais o seu componente substancial e menos o formal, como meio de concretização. Os gritos de ordem das massas, assim como os princípios constitucionais gritados pela Constituição Federal, também exigem uma democracia participativa, ajustada a cada situação e legitimada pela vontade popular em eleições livres, ordenadas e disciplinadas. Esta participação somente pode ocorrer quando os cidadãos que integram os movimentos, também participarem dos partidos políticos na condição de fermento de qualidade moral e ética, inseridos na massa da política representativa. Esta solução pode fazer a diferença na construção de partidos políticos mais empenhados na efetividade dos princípios constitucionais. A filiação partidária é expressão ímpar de cidadania e a participação popular nos partidos políticos, (com a mesma disposição que se observa nos protestos de rua) é o caminho mais eficiente para mudar os rumos da vida política no país. Afirmar que a política é suja e que os políticos são sujos (porque realmente muitos são mesmo) e simplesmente permanecer no estágio de protesto de rua é muito pouco para mudar o Brasil. Suprimir o sistema de representação partidária, nesta linha, é um verdadeiro tiro na água.  A verdade é que não adianta jogar a massa fora. É preciso colocar fermento nela para que cresça em qualidade, efetividade ética, honestidade, moral e sacie a fome por justiça social.  A habilidade para lidar com as diferenças geradoras de conflitos de classe, de desequilíbrios econômicos, de concentração de renda, de misérias e carestias é o primeiro desafio exigido das pessoas que participam dos movimentos populares. Serem fermento na massa é o segundo.


Pensamento da semana: Filiar-se a um partido político para fazer a diferença. Eis a questão.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

INFERNO

                     Cesar Techio - Economista – Advogado
      
            O inferno até pode ser parecido com o que descreve Dante Alighieri na “A Divina Comédia” ou com o que conta Dan Brown no livro “Hell” (Inferno), recém-lançado a nível mundial e que promete ser mais um best-seller na linha de “O Código da Vinci”, de sua autoria. Mas, certamente é idêntico ao que vem ocorrendo atualmente, aqui mesmo na terra. Estamos na época de que fala o Apocalipse de João, o último discípulo de Jesus, em cartas às igrejas cristãs: o princípio das dores com fomes, pestes, terremotos, tsunamis e guerras. Crimes bárbaros, como latrocínios, estupros, ataques impiedosos a vulneráveis, matança com extrema violência por motivos fúteis, são traços da mais escandalosa crueldade e da descaracterização do homem como filho de Deus. Atear fogo em dentistas no seu local de trabalho, usar armas químicas e tortura contra velhos, crianças e famílias na Síria, são nuances que fecham o cerco da desesperança, miséria, dor e do fim da humanidade. No epicentro de tudo isso se encontra o homem e o egoísmo encravado no seu coração. Frenética, diuturna e exclusivamente, dia após dia, volta todas as suas forças para ser referência, prioridade e centro do mundo. Tudo têm que se amoldar ao seu bem estar pouco importando as necessidades, dificuldades, sofrimentos e sonhos das demais pessoas.

             Este comportamento suicida tem a ver com um mecanismo genético, próprio da natureza humana, destinado à preservação da espécie e à sobrevivência do animal mais forte em detrimento dos outros. Há quem diga, entretanto, que a maldade humana tem a ver com deficiência no processo de educação. Vencida a etapa da infância, na qual as práticas egocêntricas são normais, sua extensão na vida adulta passa a ser reflexo da ausência de boa formação. Portanto, o egoísmo na vida adulta é considerado um vício de natureza moral. Com efeito, a educação familiar, assim como a construída no seio das escolas e igrejas deve permitir às pessoas entenderem e avaliarem criticamente o meio em que vivem com a adoção de hábitos permanentes de reflexão voltados ao amor, à compaixão, ao perdão, ao partilhar, ao altruísmo...

            Neste contexto, as escolas e igrejas precisam dar urgente prioridade aos ensinamentos cristãos de modo a permitir a que todos reconheçam humildemente a presença de Deus e a verdadeira alegria em servir o próximo. A doutrina cristã não pode ser alienante, ao contrário, deve incluir forte motivação à capacidade de raciocinar lógica, reflexiva e criticamente. A capacidade de pensar no formato cristão é essencial para a opção entre destruir ou preservar, amar ou odiar, viver o céu aqui e agora ou mergulhar no inferno apocalíptico já presente em nosso meio.


            Pensamento da semana: Qualquer um que diga que é cristão deve viver como Cristo viveu. 1 João, 2,6

sábado, 25 de maio de 2013

PAPA FRANCISCO DIZ QUE IGREJA NÃO DEVE ESTAR FECHADA AOS PECADORES



O Sumo Pontífice defendeu que a Igreja Católica não deve estar fechada aos pecadores como «uma alfândega pastoral».

«Somos muitas vezes controladores da fé, em vez de facilitadores», disse Francisco, numa missa na residência de Santa Marta, no Vaticano, onde mora desde que foi eleito Papa.

De acordo com um resumo da homilia divulgado pela rádio Vaticano, o Papa deu como exemplo um padre que recusa batizar uma criança filha de uma mãe solteira. "Esta mulher teve a coragem de continuar a gravidez [...]. E o que encontra? Uma porta fechada" , apontou Francisco.

"Isto não é zelo, isto é distância de Deus. Quando fazemos este caminho com esta atitude não estamos a ajudar o povo de Deus", acrescentou Jorge Bergoglio que, quando era o arcebispo de Buenos Aires, incentivou padres e bispos a batizarem as crianças nascidas fora do casamento.

"Jesus instituiu sete sacramentos e, com este tipo de atitude, estamos a criar um oitavo, o sacramento da alfândega pastoral", disse ainda o Papa Francisco na homilia.

"Jesus instituiu sete sacramentos e, com este tipo de atitude, estamos a criar um oitavo, o sacramento da alfândega pastoral" , disse ainda o Papa Francisco na homilia.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

IGREJA DE SÃO ESTANISLAU - CURITIBA PR: A CONSCIÊNCIA DO MUNDO GRITA POR JUSTIÇA.









 14.500 oficiais, soldados, poloneses aprisionados na Segunda Guerra Mundial nos campos STAROBIELSKI, KOZIELSK e OSTASZIKÓW, assassinados pela N.K.W.D em KATYN




sábado, 18 de maio de 2013

NÃO COMPARTILHAR COM OS POBRES OS PRÓPRIOS BENS É ROUBAR DELES E TIRAR-LHES A VIDA



Discurso do Papa Francisco aos embaixadores
16/05/2013, 10hs20min
Sala Clementina no Palácio Apostólico do Vaticano

Senhores Embaixadores

Com alegria acolho-os por ocasião da apresentação das Cartas, que os credenciam como Embaixadores extraordinários e plenipotenciários de seus respectivos Países junto à Santa Sé: Kyrgystão, Antígua e Barbuda, Grão Ducado de Luxemburgo e Botswana.

As cordiais palavras que me dirigiram, as quais agradeço com vivo apreço, testemunham que os Chefes de Estado de seus Países desejam desenvolver as relações de estima e de colaboração com a Santa Sé. Ficaria agradecido se os senhores lhes transmitissem os meus sentimentos de gratidão e de respeito, acompanhados das minhas orações pelas suas pessoas e seus compatriotas.

Senhores Embaixadores, a humanidade vive neste momento como um retorno à própria história, considerando os progressos registrados nos vários âmbitos. Devemos louvar os resultados positivos, que concorrem para um autêntico bem-estar da humanidade, como por exemplo, no campo da saúde, da educação e da comunicação.

No entanto, devemos reconhecer também que a maior parte dos homens e das mulheres do nosso tempo continuam a viver numa precariedade quotidiana com consequências funestas. Aumentam algumas patologias, com suas consequências psicológicas; o medo e o desespero arrebatam os corações de numerosas pessoas, mesmo nos Países considerados ricos; a alegria de viver começa a diminuir; a indecência e a violência estão em aumento; a pobreza se torna mais evidente. Deve-se lutar para viver e, muitas vezes, viver com pouca dignidade.

Uma das causas desta situação, na minha opinião, consiste na relação que temos com o dinheiro, ao aceitar o seu domínio sobre nós e sobre nossas sociedades. Assim, a crise financeira, pela qual estamos atravessando, faz-nos esquecer da sua origem primordial, arraigada numa profunda crise antropológica: a negação da primazia do homem! Criamos novos ídolos. A adoração do antigo bezerro de ouro (Cf. Ex 32,15-34) defronta-se com uma nova e impiedosa imagem do feiticismo do dinheiro e da ditadura da economia sem fisionomia e nem objetivo realmente humano.

A crise mundial, que envolve as finanças e a economia, parece colocar em luz as suas deformações e, sobretudo, a grave falta da sua perspectiva antropológica, que reduz o homem a uma única exigência: o consumismo. E, ainda pior, o ser humano, hoje, é considerado como um bem de consumo, que se pode usar e, depois, jogar fora. Este desvio se verifica, em nível individual e social, e é favorecido! Em tal contexto, a solidariedade, tesouro dos pobres, é, muitas vezes, considerada contraproducente, contrária à racionalidade financeira e econômica.

Enquanto a renda de uma minoria aumenta, de maneira exponencial, aquela da maioria enfraquece. Este desequilíbrio deriva de ideologias, que promovem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira, negando assim o direito de controle por parte dos Estados, que também devem prover o bem comum. Instaura-se, assim, uma nova tirania invisível, às vezes virtual, que impõe, unilateralmente e sem recurso possível, suas leis e suas regras. O endividamento e o crédito, outrossim, distanciam os Países e a sua economia real e os cidadãos do seu poder de aquisição real. Além do mais, pode-se acrescentar a tudo isso uma corrupção tentadora e uma evasão fiscal egoísta, que assumiram dimensões mundiais. O desejo de poder e de posse tornou-se ilimitado.

Atrás desta atitude oculta-se a rejeição da ética, a rejeição de Deus. Como a solidariedade, também a ética incomoda; ela é considerada contraproducente; como muito humana, porque relativiza o dinheiro e o poder; como uma ameaça, porque rejeita a manipulação e a submissão da pessoa.

A ética conduz a Deus, que se aliena das categorias do mercado. Deus é considerado, pelos financeiros, economistas e políticos, como incontrolável ou até perigoso, porque induz o homem à sua plena realização e à independência de qualquer tipo de escravidão. A ética – uma ética naturalmente não ideológica – permite, na minha opinião, criar um equilíbrio e uma ordem social mais humanos.

Neste sentido, encorajo os peritos financeiros e os governantes dos seus Países a refletirem sobre as palavras de São João Crisóstomo: «Não compartilhar com os pobres os próprios bens é roubar deles e tirar-lhes a vida. Os bens que possuímos não são nossos, mas deles» (Homilia sobre Lázaro, 1, 6 : PG 48, 992D).

Prezados Embaixadores, seria de bom augúrio fazer uma reforma financeira, que seja ética e que comporte, por sua vez, uma reforma econômica salutar para todos. No entanto, ela requereria uma corajosa mudança de atitude dos dirigentes políticos. Exorto-lhes, pois, a enfrentar este desafio com determinação e perspicácia, levando em conta, naturalmente, a peculiaridade dos seus contextos. O dinheiro deve servir e não governar!

O Papa ama todos, ricos e pobres; mas o Papa tem o dever, em nome de Cristo, de recordar ao rico que deve ajudar o pobre, respeitá-lo, promovê-lo. O papa exorta à solidariedade desinteressada e a um retorno da ética para o bem do homem, na sua realidade financeira e econômica.

A Igreja, por sua vez, trabalha sempre para o desenvolvimento integral de cada pessoa. Neste sentido, ela recorda que o bem comum não deveria ser um simples acréscimo, um simples esquema conceitual de qualidade inferior, inserido nos programas políticos.

A Igreja encoraja os governantes a estarem, realmente, a serviço do bem comum das suas populações. Ela exorta os dirigentes das realidades financeiras a levarem em consideração a ética e a solidariedade. E por que não se dirigirem a Deus para inspirar seus desígnios? Assim, poder-se-ia criar uma nova mentalidade política e econômica, a fim de contribuir para transformar a dicotomia absoluta entre a esfera econômica e a social em uma sã convivência.
Enfim, saúdo com afeto, através dos senhores, os Pastores e os fiéis das comunidades católicas presentes em seus Países. Exorto-os a continuar o seu corajoso e alegre testemunho de fé e de amor fraterno ensinados por Cristo.

Não tenham medo de oferecer a sua contribuição para o desenvolvimento dos seus Países, mediante iniciativas e atitudes inspirados nas Sagradas Escrituras! E, no momento em que inauguram a sua missão, faço-lhes, Senhores Embaixadores, as minhas melhores felicitações, assegurando a colaboração da Cúria Romana para o cumprimento da sua função.

Enfim, invoco, com prazer, sobre os senhores e seus familiares, como também sobre seus colaboradores, a abundância das Bênçãos divinas.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

FREI HENRIQUE DELL`OLIVO

Frei Henrique é irmão franciscano  e concedeu esta entrevista já em franca recuperação de um AVC. Com setenta e quatro anos é pessoa muito amada pelos concordienses, com quem convive há mais de trinta anos. Em 2015 fará 60 anos de vida religiosa, um grande exemplo de serviço, humildade e fortaleza franciscana.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

PADRES, PASTORES E CRISTÃOS NA CADEIA.

                     Cesar Techio - Economista – Advogado

              Ao andar do PL 122, os cristãos, seus padres, pastores e líderes vão parar todos no fundo da cadeia. O Projeto de Lei da Câmara, mais conhecido como PL 122, pretende criminalizar a opinião e, no caso da homossexualidade, transformar a Bíblia num livro homofóbico. E coitada da igreja que não aceitar fazer casamento gay religioso.  A versão original que ativistas gays desejam ver aprovada propõe como ato criminoso a prática de qualquer tipo de ação de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica. Ou seja, a ética moral da bíblia que condena a prática homossexual seria motivo de constrangimento e taxada de criminosa. Segundo o Pastor Silas Malafaia, “qualquer homossexual poderá reivindicar que se sente constrangido, intimidado pelos capítulos da Bíblia que condenam a prática homossexual. É a ditadura da minoria querendo colocar a mordaça na maioria. O Brasil é formado por 90% de cristãos. Não queremos impedir ou cercear ninguém que tenha a prática homossexual, mas não pode haver lei que impeça a liberdade de expressão e religiosa garantidas no Artigo 5º da Constituição brasileira. Para qualquer violência que se cometa contra o homossexual está prevista, em lei, reparação a ele; bem como assim está para os heterossexuais. O PL-122 não tem nada a ver com a defesa do homossexual, mas, sim, quer criminalizar os contrários à prática homossexual — e fazem isso escorados na questão do racismo e da religião.”

              As orientações sobre moral e ética sexual da igreja católica, como por exemplo, as contidas na “Declaração Persona humana” da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, passam, obviamente a serem homofóbicas e, portanto, criminosas: “Segundo a ordem moral objetiva, as relações homossexuais são atos destituídos da sua regra essencial e indispensável. Elas são condenadas na Sagrada Escritura como graves depravações e apresentadas aí também como uma consequência triste de uma rejeição de Deus. (Rom. 1, 24-27; 1 Cor. 6, 10 e 1 Tim. 1, 10). Este juízo exarado na Escritura Sagrada não permite, porém, concluir que todos aqueles que sofrem de tal anomalia são por isso pessoalmente responsáveis; mas atesta que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados e que eles não podem, em hipótese nenhuma, receber qualquer aprovação.” Neste contexto,  o PL 122 bate de frente com a Igreja Católica criando  um grave problema diplomático entre o Estado do Vaticano e o Brasil.

              Uma coisa é criticar conduta, outra é discriminar pessoas. Segundo Malafaia no Brasil pode-se criticar o Presidente da República, o Judiciário, o Legislativo, os católicos, os evangélicos, mas, quem critica a prática homossexual, logo é rotulado de homofóbico. Não concordar com a prática homossexual é totalmente diferente de discriminar ou agredir a honra de pessoas ou grupos homossexuais. Segundo o deputado Federal Marco Feliciano (PSC), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, os ativistas gays querem criar um clima de heterofobia e de intolerância inserida dentro de uma visão preconceituosa contra católicos e evangélicos. Segundo ele o objetivo é extinguir a palavra “pai” e “mãe”, destruir a família e dentro do estatuto da diversidade criar cota obrigatória para homossexual nas universidades e, finalmente implantar uma ditadura gay no Brasil. A conclusão é que o projeto de lei PL-122 é contra o artigo 5º da Constituição porque quer criminalizar a opinião, bem como a liberdade religiosa.

Pensamento da semana: “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.” Mahatma Gandhi


"Não concordar com a prática homossexual é totalmente diferente de discriminar ou agredir a honra de pessoas ou grupos homossexuais” Silas Malafaia.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

UM PAPA QUE PAGA AS PRÓPRIAS CONTAS


Leonardo Boff
22/03/2013

O que convence as pessoas não são as prédicas mas as práticas. As ideias podem iluminar. Mas são os exemplos que atraem e nos põem em marcha. Eles  são logo entendidos por todos. As muitas explicações mais confundem que esclarecem. As práticas falam por si.
O que tem marcado o novo Papa Francisco, aquele “que vem do fim do mundo” quer dizer de fora dos quadros europeus tão carregados de tradições, palácios, espetáculos principescos e de disputas internas de poder, são gestos simples, populares, óbvios para quem dá valor ao bom senso comum da vida. Ele está quebrando os protocolos e mostrando que o poder é sempre uma máscara e um teatro bem puntualizado pelo sociólogo Peter Berger, mesmo em se tratando de um poder pretensamente de origem divina.

O Papa Francisco simplesmente obedece ao mandato de Jesus que explicitamente disse que os grandes deste mundo mandam e dominam: ”convosco não deve ser assim; se alguém quiser ser grande, seja servidor; quem quiser ser o primeiro, seja servo de todos; pois o Filho do homem não veio para ser servido mas para servir”(Mc 10-43-45). Bem, se Jesus disse isso, como pode  o garante de sua mensagem, o Papa, agir diferentemente?
Na verdade, com a constituição da monarquia absolutista dos Papas, especialmente, a partir do segundo milênio, a instituição eclesiástica herdou os símbolos do poder imperial romano e da nobreza feudal: roupas vistosas (como as dos cardeais), ouropéis, cruzes e anéis de ouro e prata e hábitos palacianos. Nos grandes conventos religiosos que vem da Idade Média se vivia em espaços palacianos.

Como estudante, no quarto em que me hospedava no convento franciscano de Munique que remonta ao tempo de Guilherme Ockham (século XIV) só um quadro renascentista da parede valia alguns milhares de euros. Como combinar a pobreza do Nazareno que não tinha onde repousar a cabeça com as mitras, os báculos dourados e as estolas e vestes principescas dos atuais prelados? Honestamente  não dá. E o povo que não é ignorante mas fino observador nota esta contradição. Tal aparato nada tem a ver com a Tradição de Jesus e dos Apóstolos.

Segundo alguns jornais, quando o secretário do Conclave quis colocar sobre os ombros do Papa Francisco a “mozzetta”, aquela capinha, ricamente adornada, símbolo do poder papal, simplesmente disse: ”O carnaval acabou; guarde esta roupa”. E apareceu com sua veste branca, como costumava vestir também Dom Helder Câmara que deixou o palácio colonial de Olinda e foi morar numa meia-água na igreja das Candeias, na periferia; como o fez também Card. Dom Paulo Evaristo Arns, sem falar de Dom Pedro Casaldáliga que vive numa casinha pobre, compartindo o quarto com algum hóspede.

Para mim o gesto mais simples, honesto e popular do Papa Francisco foi o de ir ao hotelzinho onde se hospedara (nunca se hospedava na grande casa central dos jesuítas em Roma) e foi pagar suas contas: 90 Euros por dia. Entrou e pegou ele mesmo suas roupas, arrumou a malinha, cumprimentou os funcionários e foi embora. Que potentado civil, que opulento milionário, que famoso artista faria tal coisa? Seria maliciar a intenção do bispo de Roma querer ver neste gesto, normal para todos nós mortais, uma intenção populista.
Não fazia a mesma coisa quando era cardeal de Buenos Aires, buscando seu jornal, comprando o que ia preparar para comer, indo de ônibus ou de metrô e preferindo se apresentar  como  “padre Bergoglio”?

Frei Betto cunhou uma expressão de grande verdade: ”a cabeça pensa a partir de onde os pés pisam”. Efetivamente, se alguém sempre pisa em palácios e em suntuosas catedrais, acaba pensando na lógica dos palácios e das catedrais. Por esta razão, no domingo, celebrou missa na capelinha de Santa Ana, dentro do Vaticano que é considerada a paróquia romana do Papa. E depois foi conversar com os fiéis à porta.

Coisa notável e carregada de conteúdo teológico: não se apresentou como Papa, mas como “bispo de Roma”. Pediu orações não para o Papa emérito Bento XVI, mas para o bispo emérito de Roma, Joseph Ratzinger. Com isso ele retomou a mais primordial tradição da Igreja, a de considerar o bispo de Roma “o primeiro entre os pares”. Pelo fato de na cidade estarem sepultados Pedro e Paulo, ganhava especial proeminência. Mas esse poder simbólico e espiritual era exercido no estilo da caridade e não na forma do poder jurídico sobre as demais igrejas como  predominou no segundo milênio. Não me admiraria absolutamente se, como queria João Paulo I, resolvesse abandonar o  Vaticano  e fosse morar num lugar simples, com amplo espaço exterior para receber a visita dos fiéis. Os tempos estão maduros para este tipo de revolução nos costumes papais. E que desafio está representando para alguns movimentos leigos que buscam a riqueza e são sedentos de poder e para os demais prelados da Igreja:  viver  a simplicidade voluntária e a sobriedade condividida.

terça-feira, 19 de março de 2013

PAPA FRANCISCO: MAIS MISERICÓRDIA. DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DOS MAIS FRACOS.


Papa pede defesa dos mais fracos e do meio ambiente em missa inaugural

                                                                                  PREGAÇÃO: 1hs29min.

Papa pede defesa dos mais fracos e do meio ambiente em missa inaugural
REUTERS
Por Philip Pullella e Catherine Hornby
(Fonte:http://noticias.br.msn.com)


CIDADE DO VATICANO, 19 Mar (Reuters) - O papa Francisco inaugurou oficialmente seu pontificado, nesta terça-feira, com um pronunciamento em que pregou a defesa do meio ambiente e dos mais fracos da sociedade, alertando que o caminho contrário leva à morte e à destruição.

Falando a cerca de 200 mil pessoas e muitos dignitários estrangeiros reunidos em um dia ensolarado na Praça de São Pedro, o papa argentino salientou a mensagem que tem sido constante desde sua eleição no conclave da semana passada: que a missão da Igreja é defender os pobres e os desprivilegiados.

Em conformidade com essa mensagem, a missa celebrada nas escadarias da gigantesca Basílica de São Pedro foi mais simples do que o esplendor barroco que cercou a inauguração do seu antecessor, Bento 16, em 2005.

A missão da Igreja "significa respeitar cada criatura de Deus e respeitar o ambiente em que vivemos. Significa proteger as pessoas, mostrar preocupação amorosa por cada pessoa, especialmente as crianças, os idosos, os necessitados, que muitas vezes são os últimos em quem pensamos", disse ele na homilia.

O argentino Jorge Mario Bergoglio assumiu o inédito nome papal numa homenagem a São Francisco de Assis, símbolo da pobreza, simplicidade, caridade e amor pela natureza.

O papa disse que, sempre que os seres humanos deixam de cuidar do meio ambiente ou uns dos outros, "abre-se o caminho para a destruição, e os corações se endurecem. Tragicamente, em cada período da história, há os Herodes que tramam a morte, causam a destruição e estragam o semblante de homens e mulheres."

A simplicidade demonstrada por Francisco, primeiro papa jesuíta, alimenta esperanças de mudança e renovação numa Igreja assolada por uma grave crise global.

"Ele é uma pessoa simples, humilde, não é como os papas intocáveis, ele parece alguém a quem as pessoas normais podem abordar", disse, no meio da multidão, o eletricista argentino Cirigliano Valetin, de 51 anos, que trabalha no sul da Itália. (...)

Em sua homilia, o novo papa pediu aos líderes mundiais que sejam "protetores uns dos outros e do meio ambiente". "Não nos esqueçamos que o ódio, a inveja e o orgulho maculam nossas vidas. Sermos protetores, portanto, significa também prestar atenção nas nossas emoções, nos nossos corações."

JIPE ABERTO
Antes da missa, ele percorreu a abarrota praça em um jipe branco aberto, abandonando o papamóvel à prova de balas usado com frequência por Bento 16.
O papa parou diversas vezes para cumprimentar algumas pessoas na multidão. Beijou bebês, e saiu do carro em um certo ponto para abençoar uma pessoa com deficiência.
Ele usava vestes brancas simples e sapatos pretos, em contraste com os luxuosos sapatos vermelhos que chamaram atenção quando usados por Bento. Ainda antes da cerimônia, ele recebeu seu recém-cunhado anel de ouro e seu novo pálio, uma faixa de lã a ser usada ao redor do pescoço, que fora colocada durante a noite sobre o túmulo de São Pedro, sob o altar da basílica.
A cerimônia foi realizada a partir de um altar sobre os degraus da enorme basílica, e também foi reduzida para duas horas depois de um serviço de três horas em 2005, quando Bento 16 começou seu pontificado.
Após a missa, centenas de padres --protegendo-se do sol em sombrinhas amarelas e brancas, as cores do Vaticano-- distribuíram a comunhão à multidão, enquanto Francisco os observava de um trono elevado atrás do altar.
Ele deixou a basílica em uma fila de cardeais que entoavam uma ladainha pedindo que o novo pontífice tenha ajuda de santos -- incluindo vários que foram papas.
A missa instalou formalmente Francisco como o novo líder dos 1,2 bilhão de católicos do mundo.
Seis monarcas e diversos líderes mundiais, como as presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, da Argentina, e o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, acompanharam a missa, em meio a cerca de 130 delegações instaladas numa área especial da escadaria.

Vários líderes de outras religiões também estavam presentes, como o patriarca Bartolomeu, de Istambul -- primeiro líder do cristianismo ortodoxo a comparecer a uma inauguração papal desde o Grande Cisma que dividiu o cristianismo ocidental e oriental, em 1054.

Após a missa, Francisco recebeu os líderes políticos no interior da basílica, mas na segunda-feira ele já teve seu primeiro contato com a diplomacia inerente ao cargo, quando Cristina lhe pediu apoio à reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas, controladas pela Grã-Bretanha. O Vaticano não comentou essa solicitação.
Ele também acabaria por cumprimentar um pária internacional, o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que desde 2002 está proibido de viajar à União Europeia por causa de acusações de fraude eleitoral e abusos aos direitos humanos. O Vaticano não é parte da UE, o que permitiu a Mugabe estar presente.
Na segunda-feira, o Vaticano apresentou o novo brasão de armas do papa -- semelhante ao que ele usava como arcebispo de Buenos Aires, com símbolos representando Jesus, Maria e José.
O lema do brasão será "Miserando atque eligendo" ("Tendo tido misericórdia, ele o chamou"), que vem de uma meditação de São Beda, um monge inglês do século 8º, a propósito de uma passagem do Evangelho em que Jesus convida São Mateus para se tornar apóstolo.

Em vários sermões e comentários desde sua surpreendente eleição como papa na quarta-feira passada, Francisco pediu às pessoas que sejam mais misericordiosas e menos propensas a condenarem falhas alheias.