domingo, 10 de dezembro de 2017

O ADEUS














                                                                                
Quatro anos passam depressa, quando se é adolescente.

No dia 05 de dezembro de 1975 chegamos ao fim da nossa convivência.
Com a presença de familiares, festejamos a despedida com um festivo almoço no refeitório.
O Seminário recepcionava as famílias de seus seminaristas.
As 17 horas participamos da última missa.
Era estranho aquele sentimento de despedida.

Frei Tarcísio falou em comprometimento com o que havíamos apreendido. Lembrou da opção franciscana pelos pobres, desvalidos, pelos mais necessitados.
Que sempre tivéssemos respeito pela natureza, como São Francisco. 

Caridade!
Compaixão!
Partilha!
Conversão permanente!
Exortava do altar, com emoção.

E lembrou Frei Anselmo Hugo Schweitzer, falecido meses antes.
Todos choraram.

Hoje, cravados no tempo exatos 42 anos, entendo do porquê permanece viva na memória do coração da nossa turma, a figura ímpar daqueles formadores que faziam o Seminário pulsar no ritmo franciscano:

Frei Maurílio Schelbauer, diretor - Frei Danilo Marques da Silva, diretor -  Frei Tarcísio Theeis, Orientador - Frei Anselmo Hugo Schweitzer, professor - Frei José Lino Luckmann, professor - Frei Flaviano Decksler, Frei Francisco Orth, professor - Frei Elói Piva, professor - Frei Celso Chiarelli, professor - Dulce Zanini, professora - Irmã Lurdes Piccini, professora - Frei Aloisio Hellmann, irmão, motorista caminhão - Frei Isidoro Back, irmão - Frei Olivério Finger, irmão, padeiro e marceneiro - Frei Rainério Soares da Silva, irmão, padeiro e marceneiro - Frei Bruno Kreling, Paróquia de Luzerna - Frei Sérgio Hillesheim, benfeitor de Pato Branco -  Clara, Sueli e Valéria, cozinheiras - Ilse, lavanderia.

No Teatro eram 22 horas, quando terminaram as homenagens, as despedidas e os abraços da turma:

Cesar Techio - Coraldino Ribas Netto     - Darcy Somensi - Esidio Bolis    - Elói J. Felini - Fernando Deon -       Flávio Sartori     - Francisco Morás - Geraldo Turcatto -Gilberto Pagliarim - Idavir Mascarelo -  Leodir Fontana - Maurílio de Rossi -Milton da Cunha -Navílio Adriano -Moacir J. Agnes      -Otávio Dalpubel -Reinaldo Schereiner   - Valmor Simom -Vilmar Matiello -Zeferino de Marco - Difendi Masson -Renato Davi Hammes.

Adeus Seminário São João Batista.
Deus te guarde.

Em 05 de dezembro de  2017 - (Há 42 anos do dia da despedida).

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

COMO FEZ CALOR NAQUELE MÊS DE OUTUBRO DE 1972...







     









Apesar de tantas atividades propostas pelo programa de formação, o tempo parecia paralisado, manquejando pelas horas intermináveis, vagabundeando com o torvelinho do vento no jardim, vagueando em parafuso noite adentro com os vagalumes acasalando.                                                        

Um seminarista solitário, sentado sobre algumas pedras, no caminho que levava ao convento, executava uma música com a flauta: “Quando olhei a terra ardendo, qual fogueira de São João, eu perguntei a Deus do Céu, aí, por que tamanha judiação...”  

Aquele colega participava do coral que Frei Tarcísio dirigia.

Frei Tarcísio era polivalente. Orientador, professor de matemática, de música... e da banda do Seminário. Naquele ano ele havia preparado a banda para o desfile das comemorações passadas, do dia sete de setembro.

Com que galhardia, que pela rua principal de Luzerna marchamos ao som da banda do Seminário...

Era a idade dos sonhos que personificavam o desprendimento e o ideal de um cavaleiro e herói que, apeando do seu cavalo, colocou em mãos putrescentes seu dinheiro, beijando o leproso com a doçura de sua alma.    

Éramos os arautos de movimentados e alegres dias.

Era comprometedor aquele impulso penetrante que, no peito de cada, abraçava um ideal maior: O DE SER FELIZ.