quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ENTARDECER DE UMA HISTÓRIA



Frei Walter Hugo de Almeida

Sessenta Anos do Seminário Santo Antônio! Uma Historia de bravos heróis, frades e leigos, que deram sua vida por esse Jardim de Deus!...

O povo de Agudos tem, nos corredores do Seminário, seu sangue, e as arcadas neocoloniais desta Casa a saudade conta história e estórias...

Quantos e quantas pessoas de Agudos aqui trabalharam nesta construção!... Uns ainda vivem e outros, Deus os levou para a glória. Na época da construção, era uma obra faraônica para uma pacata cidade do interior...

Sessenta Anos! Agudos fez história com centenas e centenas de seminaristas; de ex – seminaristas. Muitos Frades de renome aqui fizeram caminhos e hoje semeiam por esse mundo de Deus, pela palavra falada e pela escrita!...

Quantos Professores, Mestres eruditos e espirituais, deram tudo de si pela cultura e formação dos seminaristas, e pelos cidadãos brasileiros!...

Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena! ( Fernando Pessoa ) Não foi em vão! Eles reconhecem e dão testemunho de tudo isso por esse Brasil afora.

Esta Casa sempre foi a pupila dos olhos da Província Franciscana da Imaculada Conceição!... Aqui o passado, o presente, e até muito de futuro, na pessoa de nossos Frades e dos que conosco estiveram!

Hoje, nesse Entardecer de uma História sinto, com tristeza que Agudos, talvez, não será mais Casa de Formação de Candidatos - Escola - mas apenas uma Casa de Encontros de Espiritualidade, etc, de atração turística; uma Fazenda de plantio de eucaliptos e, quiçá, não mais existirão hortas e pomares, (saudades de Frei Barnabé, Frei Lauro Formigoni, Frei Francisco Tomazi, Frei Danilo Dalpubel, e de muitos outros... E de tantos outros Confrades que deram seu sangue pela Fazenda Santo Antônio e por este Seminário! E que, talvez, será uma selva de eucaliptos!... campos de cana de açúcar!... E passo, pela minha fraqueza, a ter medo do amanhã!

E onde ficará o sentido, para o qual esta Casa foi construída com tanto suor e sangue? - Uma Casa de Formação de candidatos à Província?

Suplico as bênçãos de Deus, a Luz do Espírito Santo, para uma decisão alvissareira!

Fonte: http://www.seminario.org.br/agudos60/12a.php

domingo, 22 de outubro de 2017

HENRIQUE PIZZOLATO




Sobre o caso HENRIQUE PIZZOLATO, me aprofundei sobre o caso à época do julgamento.  Com a devida vênia, considero necessário uma melhor reflexão, antes de se formar um juízo de valoração definitivo com o julgamento pessoal do ex-seminarista.


Escrevi alhuires, que não é do senso comum, do modo de pensar da maioria das pessoas ou das noções facilmente admitidas na primeira notícia que costuma execrar inocentes, que passei a analisar aspectos fundamentais da defesa de Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, condenado por unanimidade por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato doloso pelo STF. Ele foi acusado de autorizar pessoalmente antecipações do pagamento da publicidade do Fundo Visanet, no valor de R$ 73,8 milhões, recursos que teriam alimentado o “mensalão”, segundo a acusação. Em troca, teria recebido um pacote com R$ 326 mil.  Todavia, das provas exsurge um erro judicial que permanecerá nos anais da história como daqueles iguais a de Jesus Cristo, no qual a multidão, por motivos inconfessáveis e insuflada pela mídia da época, o condenaram e empurram para a morte.


     Mesmo gritadas, pela defesa oral, aos ouvidos do ministro-relator da Ação Penal 470, Joaquim Barbosa, as contundentes provas da inocência de Henrique Pizolatto foram incrível e estranhamente ignoradas. Funcionário de carreira do Banco do Brasil por 33 anos (portanto não indicado para o cargo) ele foi acusado de desviar dinheiro público de um fundo privado pertencente a 26 acionistas, entre os quais o Banco do Brasil. A Visanet é uma empresa multinacional com autonomia de gestão interna, administrada por comitês internos, independentes e sem qualquer vinculação com o Banco do Brasil, os quais decidem se aprovam ou não gastos em propaganda. A defesa é sobeja em demonstrar provas de que Henrique Pizzolato nunca foi gestor, fez parte ou possuiu qualquer poder para liberar verbas da Visanet. Laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, n° 2828 de 2006, conclusivo de investigação realizada na Visanet, indica os nomes das pessoas responsáveis por todos os eventos e transações da empresa sendo que o nome de Henrique Pizzolato não foi mencionado sequer uma única vez. Não obstante, o Procurador Geral faz uma carta de encaminhamento envolvendo seu nome, um absurdo inaceitável. 

       Vi os vídeos do julgamento várias vezes. No voto dos Ministros, Henrique Pizzolato é acusado quatro vezes de peculato e desvio de dinheiro da Visanet com datas e valores certos. Todavia, a defesa demonstra que, consultando os documentos que se encontram nos autos do processo, nestas mesmas datas, as autorizações de transferência de valores são da lavra de outras duas pessoas. A defesa é pródiga em demonstrar que a Carta de Nomeação do Banco do Brasil, com registro em cartório, mostra outra pessoa como sendo a responsável por todos os recursos, relacionamento e transações entre a Visanet e o Banco do Brasil. Henrique Pizzolato é acusado de agir individualmente. Todavia, o Estatuto do Banco do Brasil torna impossível qualquer decisão individual na liberação de valores. Todas as decisões são colegiadas e realizadas por comitês: quem demanda não contrata; quem contrata não paga; quem paga não fiscaliza; consequentemente quem fiscaliza não contrata. 

            Bibliografia jurídica sobre o caso mostra outra visão sobre o julgamento. Por isso a cautela no julgamento pessoal sobre o caso, me pareceu razoável a época. E continuo com a mesma posição. Aliás, nossas Cortes pensam diferente o tempo todo, um juiz julga de um jeito e o outro de outra forma. Tribunais divergem. Ministros do STJ e STF são díspares em julgamentos, causando até constrangimento. Como disse, com a devida vênia irmãos seminaristas.