terça-feira, 19 de março de 2013

PAPA FRANCISCO: MAIS MISERICÓRDIA. DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DOS MAIS FRACOS.


Papa pede defesa dos mais fracos e do meio ambiente em missa inaugural

                                                                                  PREGAÇÃO: 1hs29min.

Papa pede defesa dos mais fracos e do meio ambiente em missa inaugural
REUTERS
Por Philip Pullella e Catherine Hornby
(Fonte:http://noticias.br.msn.com)


CIDADE DO VATICANO, 19 Mar (Reuters) - O papa Francisco inaugurou oficialmente seu pontificado, nesta terça-feira, com um pronunciamento em que pregou a defesa do meio ambiente e dos mais fracos da sociedade, alertando que o caminho contrário leva à morte e à destruição.

Falando a cerca de 200 mil pessoas e muitos dignitários estrangeiros reunidos em um dia ensolarado na Praça de São Pedro, o papa argentino salientou a mensagem que tem sido constante desde sua eleição no conclave da semana passada: que a missão da Igreja é defender os pobres e os desprivilegiados.

Em conformidade com essa mensagem, a missa celebrada nas escadarias da gigantesca Basílica de São Pedro foi mais simples do que o esplendor barroco que cercou a inauguração do seu antecessor, Bento 16, em 2005.

A missão da Igreja "significa respeitar cada criatura de Deus e respeitar o ambiente em que vivemos. Significa proteger as pessoas, mostrar preocupação amorosa por cada pessoa, especialmente as crianças, os idosos, os necessitados, que muitas vezes são os últimos em quem pensamos", disse ele na homilia.

O argentino Jorge Mario Bergoglio assumiu o inédito nome papal numa homenagem a São Francisco de Assis, símbolo da pobreza, simplicidade, caridade e amor pela natureza.

O papa disse que, sempre que os seres humanos deixam de cuidar do meio ambiente ou uns dos outros, "abre-se o caminho para a destruição, e os corações se endurecem. Tragicamente, em cada período da história, há os Herodes que tramam a morte, causam a destruição e estragam o semblante de homens e mulheres."

A simplicidade demonstrada por Francisco, primeiro papa jesuíta, alimenta esperanças de mudança e renovação numa Igreja assolada por uma grave crise global.

"Ele é uma pessoa simples, humilde, não é como os papas intocáveis, ele parece alguém a quem as pessoas normais podem abordar", disse, no meio da multidão, o eletricista argentino Cirigliano Valetin, de 51 anos, que trabalha no sul da Itália. (...)

Em sua homilia, o novo papa pediu aos líderes mundiais que sejam "protetores uns dos outros e do meio ambiente". "Não nos esqueçamos que o ódio, a inveja e o orgulho maculam nossas vidas. Sermos protetores, portanto, significa também prestar atenção nas nossas emoções, nos nossos corações."

JIPE ABERTO
Antes da missa, ele percorreu a abarrota praça em um jipe branco aberto, abandonando o papamóvel à prova de balas usado com frequência por Bento 16.
O papa parou diversas vezes para cumprimentar algumas pessoas na multidão. Beijou bebês, e saiu do carro em um certo ponto para abençoar uma pessoa com deficiência.
Ele usava vestes brancas simples e sapatos pretos, em contraste com os luxuosos sapatos vermelhos que chamaram atenção quando usados por Bento. Ainda antes da cerimônia, ele recebeu seu recém-cunhado anel de ouro e seu novo pálio, uma faixa de lã a ser usada ao redor do pescoço, que fora colocada durante a noite sobre o túmulo de São Pedro, sob o altar da basílica.
A cerimônia foi realizada a partir de um altar sobre os degraus da enorme basílica, e também foi reduzida para duas horas depois de um serviço de três horas em 2005, quando Bento 16 começou seu pontificado.
Após a missa, centenas de padres --protegendo-se do sol em sombrinhas amarelas e brancas, as cores do Vaticano-- distribuíram a comunhão à multidão, enquanto Francisco os observava de um trono elevado atrás do altar.
Ele deixou a basílica em uma fila de cardeais que entoavam uma ladainha pedindo que o novo pontífice tenha ajuda de santos -- incluindo vários que foram papas.
A missa instalou formalmente Francisco como o novo líder dos 1,2 bilhão de católicos do mundo.
Seis monarcas e diversos líderes mundiais, como as presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, da Argentina, e o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, acompanharam a missa, em meio a cerca de 130 delegações instaladas numa área especial da escadaria.

Vários líderes de outras religiões também estavam presentes, como o patriarca Bartolomeu, de Istambul -- primeiro líder do cristianismo ortodoxo a comparecer a uma inauguração papal desde o Grande Cisma que dividiu o cristianismo ocidental e oriental, em 1054.

Após a missa, Francisco recebeu os líderes políticos no interior da basílica, mas na segunda-feira ele já teve seu primeiro contato com a diplomacia inerente ao cargo, quando Cristina lhe pediu apoio à reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas, controladas pela Grã-Bretanha. O Vaticano não comentou essa solicitação.
Ele também acabaria por cumprimentar um pária internacional, o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que desde 2002 está proibido de viajar à União Europeia por causa de acusações de fraude eleitoral e abusos aos direitos humanos. O Vaticano não é parte da UE, o que permitiu a Mugabe estar presente.
Na segunda-feira, o Vaticano apresentou o novo brasão de armas do papa -- semelhante ao que ele usava como arcebispo de Buenos Aires, com símbolos representando Jesus, Maria e José.
O lema do brasão será "Miserando atque eligendo" ("Tendo tido misericórdia, ele o chamou"), que vem de uma meditação de São Beda, um monge inglês do século 8º, a propósito de uma passagem do Evangelho em que Jesus convida São Mateus para se tornar apóstolo.

Em vários sermões e comentários desde sua surpreendente eleição como papa na quarta-feira passada, Francisco pediu às pessoas que sejam mais misericordiosas e menos propensas a condenarem falhas alheias.




segunda-feira, 11 de março de 2013

MEMORIAL FREI SIMÃO LAGINSKI


Irmão de Frei Simão Laginski propõe o resgate da história do frade que construiu a nossa Igreja Matriz e deixou saudades no povo de Concórdia.




































domingo, 3 de março de 2013

FREI DIONÍSIO RICIERI MORAS


Frei Dionísio teve início de enfarte na quinta feira a noite, dia 28/02/2013 e segue na UTI, agora com todos os sinais vitais normais, sob controle. É provável que na quarta-feira seja transferido para um Hospital especializado em outro Estado. Nas fotos demonstra o verdadeiro estado de espírito franciscano, alegria, serenidade, gratidão pela vida e confiança na vontade de Deus.  Os franciscanos sabem que o risco de morte é só do corpo e, como São Francisco chamam a morte, de " irmã morte". Quem viveu e vive uma vida como a de Frei Dionísio Ricieri Morás, de profunda lealdade aos princípios franciscanos e cristãos, que sempre combateu o bom combate e luta pela dignidade do povo nesta terra, só pode estar mesmo tranquilo e sereno. Ele é um verdadeiro exemplo para todos nós. Com 65 anos de idade, espero que sobreviva e viva ainda por muitos e muitos anos. Sua inteligência e pregação em favor do meio ambiente vai na linha de LEONARDO BOFF, seu professor e amigo,  e é verdadeira luz para todos aqueles que tem o privilégio de lhe ouvir.

Aos que lerem este texto, orem pelo nosso  AMIGO !

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A IGREJA-INSTITUIÇÃO COMO "CASTA MERETRIZ"


23/02/2013

          Quem acompanhou o noticiário dos últimos dias acerca dos escândalos dentro do Vaticano, trazidos ao conhecimento pelos jornais italianos “La Repubblica” e o “La Stampa”, referindo um relatório com trezentas páginas, elaborado por três Cardeais provectos sobre o estado da cúria vaticana deve, naturalmente, ter ficado estarrecido. Posso imaginar nossos irmãos e irmãs piedosos que, fruto de um tipo de catequese exaltatória do Papa como “o doce Cristo na Terra” devam estar sofrendo muito, pois amam o justo, o verdadeiro e o transparente e jamais quereriam ligar sua figura a notórios malfeitos de seus assistentes e cooperadores.

         O conteúdo gravíssimo destes relatórios reforçaram, no meu entender, a vontade do Papa de renunciar. Ai se comprovava uma atmosfera de promiscuidade, de luta de poder entre “monsignori”, de uma rede de homossexualismo gay dentro do Vaticano e desvio de dinheiro do Banco do Vaticano. Como se não bastassem os crimes de pedofilia em tantas dioceses que desmoralizaram profundamente a instituição-Igreja.

         Quem conhece um pouco a história da Igreja – e nós profissionais da área temos  que estuda-la detalhadamente- não se escandaliza. Houve épocas de verdadeiro descalabro do Pontificado com Papas adúlteros, assassinos e vendilhões. A partir do Papa Formoso (891-896) até o Papa Silvestre (999-1003) se instaurou segundo o grande historiador Card. Barônio a “era pornocrática” da alta hierarquia da Igreja. Poucos Papas escapavam de serem depostos ou assassinados. Sergio III (904-911) assassinou seus dois predecessores, o Papa Cristóvão e Leão V.

         A grande reviravolta na Igreja como um todo, aconteceu, com consequências para toda a história ulterior, com o Papa Gregório VII em 1077. Para defender seus direitos e a liberdade da instituição-Igreja contra reis e príncipes que a manipulavam, publicou um documento que leva este significativo título “Dictatus Papae” que literalmente traduzido significa “a Ditadura do Papa”. Por este documento, ele assumia todos os poderes, podendo julgar a todos sem ser julgado por ninguém. O grande historiador das idéias eclesiológicas Jean-Yves Congar, dominicano, considera a maior revolução acontecida na Igreja. De uma Igreja-comunidade passou a ser uma instituição-sociedade monárquica e absolutista, organizada de forma piramidal e que vem até os dias atuais
       
       Efetivamente, o cânon 331 do atual Direito Canônico se liga a esta compreensão, atribuindo ao Papa poderes que, na verdade, não caberiam a nenhum mortal, senão somente a Deus: ”Em virtude de seu ofício, o Papa tem o poder ordinário, supremo, pleno, imediato, universal” e em alguns casos precisos, “infalível”.

         Esse eminente teólogo, tomando a minha defesa face ao processo doutrinário movido pelo Card. Joseph Ratzinger em razão do livro “Igreja:carisma e poder” escreveu um artigo no “La Croix”(8/9/1984) sobre o “O carisma do poder central”. Ai escreve:”O carisma do poder central é não ter nenhuma dúvida. Ora, não ter nenhuma dúvida sobre si mesmo é, a um tempo, magnífico e terrível. É magnífico porque o carisma do centro consiste precisamente em permanecer firme quando tudo ao redor vacila. E é terrível porque em Roma estão homens que tem limites, limites em sua inteligência, limites em seu vocabulário, limites em suas referencias, limites no seu ângulo de visão”. E eu acrescentaria ainda limites em sua ética e moral.

         Sempre se diz que a Igreja é “santa e pecadora” e deve ser “sempre reformada”. Mas não é o que ocorreu durante séculos nem após o explícito desejo do Concílio Vaticano II e do atual Papa Bento XVI. A instituição mais velha do Ocidente incorporou privilégios, hábitos, costumes políticos palacianos e principescos, de resistência e de oposição que praticamente impediu ou distorceu todas as tentativas de reforma.

         Só que desta vez se chegou a um ponto de altíssima desmoralização, com práticas até criminosa que não podem mais ser negadas e que demandam mudanças fundamentais no aparelho de governo da Igreja. Caso contrário, este tipo de institucionalidade tristemente envelhecida e crepuscular definhará até entrar em ocaso. Os atuais escândalos sempre houveram na cúria vaticana apenas que não havia um providencial Vatileaks para  trazê-los a público e indignar o Papa e a maioria dos cristãos.

         Meu sentimento do mundo me diz que  estas perversidades no espaço do sagrado e no centro de referencia para toda a cristandade – o Papado – (onde deveria primar a virtude e até a santidade) são consequência desta centralização absolutista do poder papal.  Ele faz de todos vassalos, submissos  e ávidos por estarem fisicamente perto do portador do supremo poder, o Papa. Um poder absoluto, por sua natureza, limita e até nega a liberdade dos outros, favorece a criação de grupos de anti-poder, capelinhas de burocratas do sagrado contra outras, pratica  largamente a simonía que é compra e venda de vantagens, promove  adulações e destrói os mecanismos da transparência. No fundo, todos desconfiam de todos. E cada qual procura a satisfação pessoal da forma que melhor pode. Por isso, sempre foi problemática a observância do celibato dentro da cúria vaticana, como se está revelando agora com a existência de uma verdadeira rede de prostituição gay.

         Enquanto esse poder não se descentralizar e  não outorgar mais participação de todos os estratos do povo de Deus, homens e mulheres, na condução dos caminhos da Igreja o tumor causador desta enfermidade perdurará. Diz-se que Bento XVI passará a todos os Cardeais o referido relatório para cada um saber que problemas irá enfrentar caso seja eleito Papa. E a urgência que terá de introduzir radicais transformações. Desde o tempo da Reforma que se ouve o grito: ”reforma na Cabeça e nos membros”. Porque nunca aconteceu, surgiu  a Reforma como gesto desesperado dos reformadores de fazerem por própria conta tal empreendimento.
    
     Para ilustração dos cristãos e dos interessados em assuntos eclesiásticos, voltemos à questão dos escândalos. A intenção é desdramatizá-los, permitir que se tenha uma noção menos idealista e, por vezes, idolátrica da hierarquia e da figura do Papa e libertar a liberdade para a qual Cristo nos chamou (Galatas 5,1). Nisso não vai nenhum gosto pelo Negativo nem vontade de acrescentar desmoralização sobre desmoralização. O cristão tem que ser adulto, não pode se deixar infantilizar nem permitir que lhe neguem conhecimentos em teologia e em história para dar-se conta de quão humana e demasiadamente humana pode ser a instituição que nos vem dos Apóstolos.

         Há uma longa tradição teológica que se refere à Igreja como casta meretriz,  tema abordado detalhadamente por um grande teólogo, amigo do atual Papa, Hans Urs von Balthasar (ver em Sponsa Verbi,  Einsiedeln 1971, 203-305). Em várias ocasiões o teólogo J. Ratzinger se reportou a esta denominação. A Igreja é uma meretriz que toda noite se entrega à prostituição; é casta  porque Cristo, cada manhã se compadece dela, a lava e a ama.

          O  habitus meretrius da instituição, o vício do meretrício, foi duramente criticado pelos Santos Padres da Igreja como Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerônimo e outros. São Pedro Damião chega a chamar o referido Gregório VII de “Santo Satanás” (D. Romag, Compêndio da história da Igreja, vol 2, Petrópolis 1950,p.112). Essa denominação dura nos remete àquela de Cristo dirigida a Pedro. Por causa de sua profissão de fé o chama “de pedra”mas por causa de sua pouca fé e de não entender os desígnios de Deus o qualificou de “Satanás”(Evangelho de Mateus 16,23). São Paulo parece um moderno falando quando diz a seus opositores com fúria: ”oxalá sejam castrados todos os que vos perturbam”(Gálatas 5.12).

         Há portanto, lugar para a profecia na Igreja e para a denúncias dos malfeitos que podem ocorrer no meio eclesiástico e também no meio dos fiéis.

         Vou referir outro exemplo tirado de um santo querido da maioria dos católicos brasileiros, por sua candura e bondade: Santo Antônio de Pádua. Em seus sermões, famosos na época, não se mostra  nada doce e gentil. Fez vigorosa crítica aos prelados devassos de seu tempo. Diz ele: “os bispos são cachorros sem nenhuma vergonha, porque sua frente tem cara de meretriz e por isso mesmo não querem criar vergonha”(uso a edição crítica em latim publicada em Lisboa em 2 vol em 1895). Isto foi proferido no sermão do quarto domingo depois de Pentecostes ( p. 278). De outra vez,  chama os prelados de “macacos no telhado, presidindo dai o povo de Deus”(op cit  p. 348).  E continua:” o bispo da Igreja é um escravo que pretende reinar, príncipe iniquo, leão que ruge, urso faminto de rapina que espolia o povo pobre”(p.348). Por fim na festa de São Pedro ergue a voz e denuncia:”Veja que Cristo disse três vezes: apascenta e nenhuma vez tosquia e ordenha… Ai daquele que não apascenta nenhuma vez e tosquia e ordena três ou mais vezes…ele é um dragão ao lado da arca do Senhor que não possui mais que aparência e não a verdade”(vol. 2, 918).

         O teólogo Joseph Ratzinger explica o sentido deste tipo de denúncias proféticas:” O sentido da profecia reside, na verdade, menos em algumas predições do que no protesto profético: protesto contra a auto-satisfação das instituições, auto-satisfação que substitui a moral pelo rito e a conversão pelas cerimônias” (Das neue Volk Gottes,  Düsseldorf 1969, p. 250, existe tradução português).

         Ratzinger critica com ênfase a separação que fizemos com referencia à figura de Pedro: antes da Páscoa, o traidor; depois de Pentecostes, o fiel. “Pedro continua vivendo esta tensão do antes e do depois; ele continua sendo as duas coisas: a pedra e o escândalo… Não aconteceu, ao largo de toda a história da Igreja, que o Papa, simultaneamente, foi o sucessor de Pedro, a “pedra” e o “escândalo”(p. 259)?

         Aonde queremos chegar com tudo isso? Queremos chegar ao reconhecimento de que a igreja- instituição de papas, bispos e padres, é feita de homens que podem trair, negar e fazer do poder religioso negócio e instrumento de autosatisfação. Tal reconhecimento é terapêutico, pois nos cura de toda uma ideologia idolátrica ao redor da figura do Papa, tido como praticamente infalível. Isso é visível em setores conservadores e fundamentalista de movimentos católicos leigos e também de grupos  de padres. Em alguns vigora uma verdadeira papolatria que Bento XVI procurou sempre evitar.

         A crise atual da Igreja  provocou a renúncia de um Papa que se deu conta de que não tinha mais o vigor necessário para sanar escândalos de tal gravidade. “Jogou a toalha” com humildade. Que outro mais jovem venha a assuma a tarefa árdua e dura de limpar a corrupção da cúria romana e do universo dos pedófilos, eventualmente puna, deponha e envie alguns mais renitentes para algum convento para fazer penitência e se emendar de vida.

         Só quem ama a Igreja pode fazer-lhe as críticas que lhe fizemos, citando textos de autoridade clássicas do passado. Quem deixou de amar a pessoa um dia amada, se torna indiferente à sua vida e destino. Nós nos interessamos à semelhança do amigo e  de irmão de tribulação Hans Küng, (foi condenado pela ex-Inquisição) talvez um dos teólogos  que mais ama a Igreja e por isso a critica.

         Não queremos que cristãos cultivem este sentimento de  de descaso e de indiferença. Por piores que tenham sido seus erros e equívocos históricos, a instituição-Igreja guarda a memória sagrada de Jesus e a gramática dos evangelhos. Ela prega libertação, sabendo que geralmente são outros que libertam e não ela.

          Mesmo assim vale estar dentro dela, como estavam São Francisco, Dom Helder Câmara, João XXIII e os notáveis teólogos que ajudaram a fazer o Concílio Vaticano II e que antes haviam sido todos condenados pela ex-Inquisição, como De Lubac, Chenu, Congar,  Rahner e outros. Cumpre  ajuda-la a sair deste embaraço, alimentando-nos mais do sonho de Jesus de um Reino de justiça, de paz e de reconciliação com Deus e do seguimento de sua causa e destino do que de simples e justificada indignação que pode cair facilmente no farisaísmo e no moralismo.

Leonardo Boff

Mais reflexões desta ordem se encontram no meu Igreja: carisma e poder  (Record 2005) especialmente no Apêndice com todas a atas do processo havido no interior da ex-Inquisição em 1984.

http://leonardoboff.wordpress.com/2013/02/23/a-igreja-instituicao-como-casta-meretriz/

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

FRANCISCO MORÁS

 HOMENAGENS A FREI FRANCISCO MORÁS, O ÚNICO COLEGA DA TURMA  QUE PERSEVEROU NA VOCAÇÃO.



Visita de Francisco Moras, o único da nossa turma 1972/75 (Seminário São João Batista, Luzerna - SC) que virou padre.

A ele a  nossa admiração e amizade de sempre.

VIVA os ex-seminaristas franciscanos!





Acima: Difendi Masson (Barriga), Cesar Techio , Francisco Morás  e
Gemma Techio (87 anos). Janeiro/2013

Moacir Agnes visita Concórdia e após 38 anos se encontra com o  "Chico".







Zurilo, Moa e Chico

Francisco Moras é frade franciscano, com licenciatura em Catequese e Pastoral pelo Instituto Lumen Vitae, da Universidade Católica de Lovaina, e doutorado em Teologia Sistemático-Pastoral pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. É professor de Teologia Pastoral no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis e coordenador da coleção "Iniciação à Teologia", da Editora Vozes.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ENCONTRO DOS EX-SEMINARISTAS DE AGUDOS - SP EM 2014

Estimado César Techio!

Paz e Bem!

Sou Ubiratan Gomes, apelido BIRA, atualmente em Curitiba e nascido (1964) em Bauru-SP.

Eu estudei em Agudos de  79 a 81, fiz o noviciado em Rodeio em 82 e
fiquei até 85 na filosofia em Rondinha - Campo Largo (Curitiba).
Hoje, em CURITIBA, tenho uma Agencia de Turismo.
Meus contatos: Olimpus Turismo: (41) 3324-9845  -  3023-6758
                        residencial:  3223-5901 - . celular: 9236-0762.
E-mail: bira@olimpusturismo.com.br

Tive a grata satisfação de percorrer os seus blogs e de modo especial
as notícias franciscanas. Parabéns pelo bom trabalho que precisamos
divulgar e buscar maneiras de chegar a tantos ex-seminaristas franciscanos.

Há vários anos começou um movimento de reunir ex-seminaristas e suas
famílias no Seminário Santo Antônio de Agudos a cada 02 anos, onde você estudou e tem
belos vídeos sobre o mesmo. Vi pelo blog que em 2011 você publicou a divulgação.

Temos notícias e depoimentos do ÚLTIMO ENCONTRO - 2012,
no site do Seminário: http://www.seminario.org.br/noticias/2012/006.php
ou da Província: http://www.franciscanos.org.br/?cat=124&paged=48

Gostei muito da lista que você publicou em 2008 com o nome dos que
entraram no seminário desde 1950 até 2007 e é principalmente ela ("A LISTA"!!) que
queremos DIVULGÁ-LA.

No encontro dos ex-seminaristas de 2012 o Alfredo Scottini de Blumenau
pediu para deixar a coordenação dos encontros e eu assumi esta responsabilidade.
O próximo encontro marcado será de 30 de janeiro a 01 de fevereiro de 2014.
Também foram indicados representantes de cada região para mobilizar este próximo
encontro. Frei Nelson Hillisheim foi escolhido para acompanhar a
organizaçãoe é o nosso diretor espiritual. Estou tentando marcar uma reunião com toda esta equipe, o
mais rápido possível, para organizarmos e iniciarmos a divulgação do
próximo encontro o qual estou empolgado para fazermos uma boa mobilização.

Gostaria muito de contar com sua ajuda, os seus dons, e com seu blog
para que possamos chegar a muitos ex-seminaristas franciscanos. As
redes sociais também são um caminho direto para  chegamos a eles.
Tenho uma lista com vários e-mails de pessoas que já participaram dos
encontros anteriores, mas está um pouco desatualizada, pois voltam muitos
e-mails. Gostaria também de contar com suas sugestões para podermos
fazer com que a motivação para o próximo encontro e principalmente a
preparação e temas franciscanos possam estar chegando para tantos
ex-seminaristas que esperam um convite como este.

Minha primeira idéia é que as pessoas possam se achar na lista de
entrada em Agudos e entre estes, cada um procure pelas redes sociais e
outros meios as pessoas daquela lista e também os demais
conhecidos. Lembro também que o encontro é para ex-seminaristas
franciscanos, não precisa ter estudado em Agudos, aqui em Curitiba
fizemos um Encontro Regional dia 30 de setembro para celebrar
o Dia de São Francisco e foi muito bom.

Meu irmão, Paulo Cesar Gomes, também estudou em Agudos de 74 a 76 e trabalhou como
frade sacerdote por 10 anos na Província. Hoje ele atua conosco no segmento de Turismo Religioso
e também está bem motivado em divulgar o Encontro e esta grande fraternidade de ex-seminaristas
e sempre franciscanos por ideal. E-mail: paulocesargomes11@gmail.com

Além das ações que poderemos e pretendemos fazer, solicito a autorização de divulgar o seu blog
dentro de nossas futuras comunicações.

Um bom ano de 2013 e que Deus continue lhe dando muitos dons.
Um fraterno abraço e que Francisco de Assis continue a nos iluminar e guiar.

Bira - Ubiratan Gomes

NOME E ANO DE ENTRADA DOS SEMINARISTAS EM AGUDOS:
DAThttp://seminaristasfranciscanos.blogspot.com.br/search?updated-min=2008-01-01T00:00:00-03:00&updated-max=2009-01-01T00:00:00-03:00&max-results=7

Ex-seminaristas franciscanos em Agudos – 2012
Por Gilberto Schmitt (Gaspar –SC).

O seminário Santo Antônio, em Agudos SP, recebeu de portas abertas os ex-seminaristas franciscanos entre os dias 26 e 29 de janeiro. O encontro é realizado a cada dois anos. Mais de 250 ex-seminaristas de várias regiões do Brasil, puderam desfrutar de momentos de confraternização, oração e muito lazer com seus familiares e amigos.


Confiram os depoimentos e relatos de quem participou do evento.

“Os ex-seminaristas franciscanos, sempre, lutaram para que houvesse uma convivência franciscana mais firme entre todos. Sempre reinou a liberdade de se congregarem os que assim o desejassem. Foram quase 30 anos de trabalhos e momentos de crescimento para todos. O essencial é que haja vivencias e troca de experiências existenciais.  Será sempre muito bom as pessoas se reunirem e viverem a fraternidade franciscana.”

Alfredo Scottini, Blumenau/SC, ex-coordenador do encontro dos ex-seminaristas.

“Sonhos, vida, esperança. Rever amigos, repensar objetivos de vida. Pensar e repensar valores e caminhos que, alimentados pelos sonhos da juventude, ajudaram a construir o que somos no presente e nos impulsionam aos novos desafios do futuro.” 

Antonino Caron, Curitiba/PR.

“É sempre bom voltar a Agudos! É minha casa; eu sinto isso!  Nos reencontros, procuro estar sempre disponível, para tudo e para todos! Faço o meu máximo! É isso que me faz feliz, confesso! Cuido dos esportes, das competições (futebol, natação, cartas, pingue-pongue). A cada dois anos, tenho esse encontro marcado com minhas raízes, há mais de 20  anos.” 

Márcio Dionísio Gapski, Curitiba/PR.

“O encontro dos ex-seminaristas é uma oportunidade ímpar de convivência, de valorização, de reconhecimento, de recordação dos bons anos de formação franciscana. Também, trata-se de um tempo  muito rico para reconhecer com gratidão tudo o que o tempo de formação franciscana e  a vida proporcionou. A Província Franciscana acolhe, incentiva e apóia esta iniciativa do encontro, sabendo que todo ex-seminarista é um franciscano semeador da paz e do bem.”  

Frei Nelson José Hillesheim, orientador espiritual ex-seminaristas
“Voltar a Agudos é reviver e beber da fonte da sabedoria franciscana.” 

Dotti, Joaçaba/SC.

“Pela 12ª vez consecutiva estive presente. Em Agudos renovamos e fortalecemos o espírito franciscano. Os amigos que reencontramos nos estimulam a levar uma vida mais simples, buscando a paz e fazendo o bem.” 

Mario Mattos, Rio do Sul/SC.

“Participo há seis encontros e é sempre uma grande emoção rever Agudos. O encontro renova o espírito franciscano que procuro viver com minha família. A partilha com os colegas nos faz sermos crianças novamente. A humildade franciscana renasce a cada encontro.” 

Alcir Toigo, Chapecó/SC.

"O encontro dos ex-seminaristas franciscanos, em Agudos, é sempre um acontecimento muito importante não só para os Frades do Seminário Santo Antônio, como também para todo o povo de Agudos, principalmente para os fiéis das duas paróquias da cidade. No espírito da comunhão eclesial, repercute também positivamente em toda a Diocese de Bauru. Pois os Frades estão na Diocese há muitos anos com duas Paróquias em Agudos e duas na cidade de Bauru. E no Seminário há mais de 60 anos. A espiritualidade franciscana marcou e marca a ação evangelizadora em toda a Diocese. Os Frades do Seminário em muito colaboraram pastoralmente em toda a região de Bauru. O Seminário é uma referência em toda a nossa região como casa de encontros pastorais e retiros, também de oração e espiritualidade. A Diocese se alegra mais uma vez ao receber os ex-seminaristas neste ano. Como primeiro Bispo Franciscano de Bauru, tenho especial alegria de acolher a todos, suplicando a Deus bênçãos e graças pelo bom êxito do encontro. Que a alegria do reencontro restaure em todos o ideal de viver o Evangelho em suas famílias e comunidades, segundo o exemplo do Pai São Francisco”.

Dom Caetano Ferrari, Bauru/SP, Bispo Diocesano.

“Eu, como esposa de um ex-seminarista, sinto-me muito orgulhosa de poder participar desta grande família de São Francisco - “Agudos”. Participo desde o 2º encontro e tive, também, o privilégio de levar os meus dois filhos e irmão, os quais guardam lembranças saudáveis até hoje e querem, dentro do possível, participar futuramente com os nossos netos. Agudos é um lugar sagrado, que me eleva ao Divino, um lugar de muita energia positiva. Fiz muitas amizades sadias e sinceras. Lembranças que a cada dois anos renovamos com muito prazer. Em “Agudos” tudo tem um sentido sagrado, sacramental, com momentos espirituais e, até, momentos de diversão”.

Saulita Odorizzi, Blumenau/SC, Esposa do ex-seminarista Américo Odorizzi

“Encontrar-se já é bom, melhor ainda encontrar-se com os amigos que partilharam e caminharam conosco momentos tão importantes e marcantes em nossas vidas. O encontro dos ex-seminarista é a verdadeira arte do encontrar-se e foi isto que ocorreu nos dias 26 a 29 de janeiro no Seminário de Agudos-SP, onde estiveram presentes um grande grupo de ex-seminaristas, familiares , amigos e convidados. A chegada de cada um foi contaminando o encontro, a alegria externada no semblante de cada um ao encontrar-se, as recordações, as aventuras, as peripécias e as mais variadas histórias que cada um se viu no dever de partilhar. Tudo já preparado pelos frades da casa, Frei Thiago, Frei Virgílio, com a colaboração dos incansáveis mentores do encontro, o Provincial dos Ex-seminaristas Alfredo Scottini e seu companheiro Fiorelo Nones, Márcio Gapski, Dotti, Frei Nelson José Hillesheim  e muitos outros. 

Ao cair da tarde do dia 26 tivemos uma missa de boas vindas presidida por frei Nelson, que acolheu a todos com uma homilia muito profunda, emocionando a todos,  tendo como co-celebrantes Frei Thiago e Padre Davi - que veio com a turma do oeste catarinense - tendo como organista e animadores o ex-seminarista Nelson Broering e família. Na noite do dia 26, reunidos no anfiteatro da 1ª Ala, Alfredo Scottini desejou boas vindas a todos, repassando as informações de como seria o encontro e também que desejava deixar a liderança, para que outros pudessem colaborar e não deixar a peteca cair para tão significativo e importe encontro. Frei Nelson agradeceu em nome da Província Franciscana tão importante trabalho desempenhado pelo mesmo e incitou os ex-seminaristas a formar um colegiado com líderes das mais variadas localidades para dar continuidade e reforçar ainda mais os futuros encontros e foi o que ocorreu, sendo eleito Ubiratan Gomes, de Curitiba, como coordenador dos novos encontros, Fiorello Nones, de Blumenau como vice- coordenador e Frei Nelson como Diretor Espiritual do encontro. Frei Nelson disse ainda que cada um deve ser um propagador do encontro, convidando os amigos, especialmente os da turma para reencontrar-se e fazer do próximo encontro um verdadeiro capítulo das esteiras dos ex-seminaristas, com barracas para todos os lados ao redor do seminário.

No dia 27, Frei Antonio Moser (Gaspar), convidado para palestrar no encontro sobre o tema Bioética nos abrilhantou com seus conhecimentos e partilhou suas sábias e prudentes palavras. Foi tão bom e empolgante que iniciou às 9 horas e só encerrou próximo do almoço. Falando em almoço, é um encantamento o cheiro peculiar dos alimentos preparados na cozinha do seminário e o zunzum dos pratos, talheres e conversas durante a refeição.
Na noite do dia 27 tivemos a “noite dos talentos” no grande anfiteatro do seminário, com as mais variadas apresentações culturais de músicas, dança, declamações de poesia e o teatro improvisado “reprodução da vida à moda antiga”. Após o coral 25 de julho de Blumenau, sob a batuta de José Carlos Oechler deu um showzaço no saguão da primeira ala apresentando canções alemãs e danças, com as vestes típica, regado com a doação de chope trazidos especialmente para o evento. Somente pelas duas da manhã o silenciou voltou a reinar nos corredores do seminário, isto se não fosse a pequena lembrança dos tempos de outrora, colocados em prática nos dias do encontro, onde primeiramente, na madrugada da primeira noite uns rojões soaram no corredor do dormitório do baixo clero e na segunda noite eles ressurgiram no Alto Clero.

Como choveu durante o encontro, somente sábado (28) deu um dia maravilhoso de sol e permitiu atividades externas, futebol, piscina, visitas a gruta, cemitério, fazenda e pomar. Pena que o pomar foi desativado, inclusive com a demolição da casa lá existente para dar lugar a plantação de eucaliptos, sob o argumento de ajudar na manutenção do seminário, que se sabe, pelo tamanho também deve ser as despesas. Frei Nelson também lembrou a ajuda que todos podemos retribuir com o Pró-vocações, colocando à  disposição de todos o carnê do Pró-vocações..
Ao cair da tarde de sábado houve a missa solene de despedida e após o jantar a grande maioria retornou para suas casas realimentados com o vigor franciscano e com a certeza que valeu a pena encontra-se e fazer parte desta grande família franciscana e ter momentos de revigoramento participando e já ansioso para participar do próximo encontro, que será na última semana de janeiro de 2014 (quinta a sábado). Paz e Bem a todos”.

Paulo Luís Schmitt, Gaspar – SC








sábado, 12 de janeiro de 2013

FREI ANSELMO HUGO SCHWEITZER



Novas fotos do falecimento de Frei Anselmo.

Pouco antes da venda do Seminário São João Batista ao município de Luzerna, visitei o local e estive na antiga sala de recreação dos frades apenas para ver aquele ambiente e matar as saudades. Para minha surpresa a mesma se encontrava cheia de entulhos, caixas  de papel, livros e discos antigos, tudo misturado, parecia um depósito velho e desordenado.

Comecei a andar no meio daquela papelada e, de repente, aos meus pés, vi algumas fotos antigas. Foi outro choque, pois eram fotos antigas, do ano de 1975, envolvendo o velório de Frei Anselmo, nosso professor de música, inglês e história.

São fotos preciosas e únicas. Uma verdadeira raridade. Trago-as, agora, à lume para que todos possam recordar daqueles dias. 

Amigos, queridos colegas, após 38 anos do falecimento do nosso amado professor Frei Anselmo Hugo Schweitzer, desejo a todos muitas felicidades, saúde, paz e amor. 

Lembremos dos nossos bons tempos com a reverência que o tempo merece. 

Abraço.

Cesar Techio